← a sala de CLP · CLP do zero · aula 05

O tanque vazio marca 20%

O transmissor manda 4 mA com o tanque vazio, como manda o manual dele. O programa leu 20%. E a bomba, que liga abaixo de 15%, nunca mais ligou.

começar

a receita, igual em toda aula

1 · o erro

A escala de 0 a 20 mA, o fio rompido que vira “vazio”, e o PT100 de dois fios.

2 · o porquê

O zero da corrente não é zero, e o cabo também é resistência.

3 · a correção

A escala de 4 a 20, a falha abaixo de 3,6 mA, e o terceiro fio.

4 · a prova

Um tanque que enche e esvazia, e um PT100 com o cabo do tamanho que você quiser.

antes do erro

Um fio que carrega um número

Até a aula 04, todo borne era 0 ou 1. O sinal analógico carrega uma medida: nível, pressão, vazão, temperatura. O jeito mais comum na indústria é uma corrente de 4 a 20 mA:

medida = (bruto − bruto_no_zero) / (bruto_no_fundo − bruto_no_zero)
         × (medida_no_fundo − medida_no_zero) + medida_no_zero

Muito cartão pode ser configurado direto em 4–20 mA, e aí o 4 mA já chega como 0 no CLP. Os dois jeitos existem — o erro está em configurar de um jeito e escrever a escala do outro. Confira o que a sua configuração faz antes de escrever a conta.

05a A escala de 0 a 20 mA

4–20 mA · zero vivo · escala linear

1 · o erro

Um tanque de água tem um transmissor de nível LT de 4–20 mA: 4 mA vazio, 20 mA cheio. A bomba enche o tanque quando o nível cai abaixo de 15% e para acima de 90%. A escala foi feita “de cabeça”, do zero ao fundo do cartão:

nivel := bruto / 27648 * 100;

IF nivel < 15 THEN bomba := TRUE;  END_IF;
IF nivel > 90 THEN bomba := FALSE; END_IF;

Cheio, o supervisório mostra 100%, certinho. O consumo vai baixando o nível, e ele para em 20% — e fica. O tanque seca, e a bomba não liga.

2 · o porquê

A conta trata 0 mA como vazio. Mas vazio é 4 mA:

nível de verdadeno fiobruto0 a 20 (errado)4 a 20 (certo)
0%4 mA553020%0%
50%12 mA1658960%50%
100%20 mA27648100%100%

O erro é zero no topo e cresce até 20 pontos embaixo. Com o tanque cheio tudo parece certo — por isso passa no teste de bancada de quem só enche e olha.

3 · a correção

A reta tem que passar pelos dois pontos de verdade do transmissor, 4 mA e 20 mA:

nivel := (bruto - 5530) / (27648 - 5530) * 100;

Pra achar os dois números, a conta é a do cartão: 4 ÷ 20 × 27648 = 5529,6, e o CLP guarda 5530. Se o cartão estiver configurado em 4–20 mA, o número de baixo é 0 — e aí a conta “de cabeça” do ① é que estaria certa.

4 · a prova

O consumo está aberto e o tanque começa em 50%. No , compare o “nível de verdade” com o que o programa calcula, e espere o tanque secar (o ⏩ tempo 4× ajuda). No , a bomba liga nos 15% e para nos 90%.

a escala de 0 a 20 mA num transmissor de 4–20 é tropeço clássico, montado para esta aula; os 27648 são o fundo de escala nominal da Siemens, e o cartão que lê de 0 a 20 mA é uma escolha da aula. Eu ainda não tenho um CLP físico: a prova roda no simulador do site.

05b O fio rompido que parece tanque vazio

falha no laço · NAMUR NE 43 · falhar do lado seguro

1 · o erro

A escala agora está certa, a do ②. Numa manutenção, alguém esbarra no cabo do transmissor e um borne solta. O tanque transborda.

2 · o porquê
fio solto  →  0 mA  →  bruto 0
nivel = (0 − 5530) / (27648 − 5530) × 100 = −25%
−25 < 15  →  bomba liga  →  e nada nunca mais passa de 90%

Pro programa, fio rompido e tanque vazio são a mesma coisa — e a reação a “vazio” é encher. É o erro do botão de parar da aula 02, em versão analógica: a falha caiu do lado perigoso.

3 · a correção

O zero vivo existe pra isso: abaixo de 4 mA não tem medida, tem defeito. A recomendação NAMUR NE 43, seguida por muitos transmissores, separa as faixas:

3,8 a 20,5 mA     medida (um pouco além de 4–20, pra caber a saturação)
até 3,6 mA        falha
21 mA ou mais     falha  (o transmissor avisando que se diagnosticou com defeito)
mA := bruto / 27648 * 20;
IF mA < 3.6 OR mA > 21.0 THEN
    falha := TRUE;          (* alarme, e a bomba não liga *)
ELSE
    falha := FALSE;
    nivel := (bruto - 5530) / (27648 - 5530) * 100;
END_IF;

O que fazer na falha é decisão do processo, não do CLP: aqui, parar de encher é o lado seguro; num tanque de incêndio, talvez não seja. O que não pode é a falha passar por medida. E numa proteção de verdade contra transbordo, a chave de nível alto independente continua lá — o analógico é controle, não a última barreira.

4 · a prova

Nos dois, toque em ✂ soltar o fio do transmissor. No , a bomba liga e o tanque transborda. No , o alarme acende e a bomba para.

as faixas de 3,6 e 21 mA são da recomendação NAMUR NE 43; o fio rompido lido como tanque vazio é tropeço clássico, montado para esta aula. Eu ainda não tenho um CLP físico: a prova roda no simulador do site.

05c O PT100 que mede o cabo junto

PT100 · resistência do cabo · ligação a 2 e a 3 fios

1 · o erro

Um forno precisa ficar em 100 °C. O sensor é um PT100 ligado direto num cartão de temperatura do CLP, a 50 m do painel, com um cabo de dois fios de 0,5 mm² que sobrou. O CLP mostra 109 °C e desliga a resistência cedo. O produto sai cru.

2 · o porquê

O PT100 não manda corrente nem tensão: ele é uma resistência de platina que vale 100 Ω a 0 °C e sobe com a temperatura — cerca de 0,385 Ω por grau, entre 0 e 100 °C (a curva é a da IEC 60751: 138,51 Ω a 100 °C). O cartão mede ohms. E o cabo também tem ohms:

um fio de cobre:  0,0172 × 50 m ÷ 0,5 mm²  =  1,72 Ω
ida e volta:      2 × 1,72                  =  3,44 Ω

o cartão mede:    138,51 + 3,44  =  141,95 Ω
                  →  9 °C a mais

Com dois fios, não tem como o cartão separar o que é sensor do que é cabo. E o cabo muda com a temperatura do caminho, então nem dá pra “descontar” um número fixo com segurança.

3 · a correção
  • 3 fioso jeito mais comum na indústria. Um terceiro fio sai do mesmo lado do sensor; o cartão mede um laço só de fio e desconta. Funciona bem se os fios forem iguais — mesmo cabo, mesma seção, mesmo comprimento.
  • 4 fiosdois fios levam a corrente e dois só medem a tensão no sensor. O cabo some da conta. É o dos laboratórios e das medidas finas.
  • transmissor no cabeçoteum transmissor junto do sensor converte em 4–20 mA, e o resto do caminho vira a aula 05a.

E o cartão tem que estar configurado pro jeito que foi ligado: cartão em 3 fios com o sensor ligado a 2 não conserta nada.

4 · a prova

Comece com 2 fios, 50 m e 0,5 mm², e aumente o cabo. Depois troque a seção, e passe pra 3 fios.

a curva do PT100 é a da IEC 60751; a resistividade do cobre é o valor a 20 °C. O PT100 a dois fios num cabo comprido é tropeço clássico, montado para esta aula. Eu ainda não tenho um CLP físico: a prova é a conta, rodando no site.

sua vez

O manômetro de 0 a 10 bar

Um transmissor de pressão de 4–20 mA mede de 0 a 10 bar. O cartão é o mesmo da aula: 0 a 20 mA vira 0 a 27648. Preencha os seis números da escala — os pontos da reta e os limites de falha — e confira: o site testa nove correntes, com medidas boas e com defeitos.

uma dica, se travar

Os dois números do CLP são os mesmos do tanque: 4 mA e 20 mA passados pela conta do cartão. As pressões são as do transmissor. E os limites de falha são os da NAMUR — olhe os testes de 3,9 mA e 20,4 mA: eles têm que continuar sendo medida.

para levar

No 4–20 mA, vazio é 4 mA: a escala passa pelos dois pontos do transmissor. Abaixo de 3,6 mA não é medida, é fio rompido — e tem que virar falha, não “tanque vazio”. PT100 é resistência: a dois fios, o cabo entra na conta.

CLP do zero · aula 05 · simulado no navegador — ainda sem CLP físico