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A emergência que o CLP não segura

Botão de emergência numa entrada do CLP, e o programa desligando o motor. Na bancada funciona — até um curto no cabo prender o bit em 1. A NR-12 pede outra coisa.

começar

Esta aula ensina a ler a norma, não substitui projeto. Qual solução uma máquina precisa sai da apreciação de riscos, sob responsabilidade de profissional legalmente habilitado. Os trechos entre aspas são da NR-12 vigente, com link pro item.

o que a norma diz

Emergência tem regra própria

“As máquinas devem ser equipadas com um ou mais dispositivos de parada de emergência, por meio dos quais possam ser evitadas situações de perigo latentes e existentes.”

NR-12, item 12.6.1

E esse dispositivo deve, entre outras coisas:

“d) prevalecer sobre todos os outros comandos;”
“f) ter sua função disponível e operacional a qualquer tempo, independentemente do modo de operação;”

NR-12, item 12.6.3, alíneas d e f

“A parada de emergência deve exigir rearme ou reset manual a ser realizado somente após a correção do evento que motivou o acionamento da parada de emergência.”

NR-12, item 12.6.8

N1 A emergência numa entrada comum

parada de emergência · categoria · interface de segurança · rearme manual

1 · o erro

O jeito mais barato de pôr emergência numa máquina com CLP: o botão cogumelo (NF, com trava) numa entrada, e mais um contato em série na linha do motor.

──┤ ├ S2 I0.0 ──┤ ├ S0 I0.1 ──┬──┤ ├ S1 I0.2 ──┬──( ) K1 Q0.0
   emergência      desliga    └──┤ ├ K1 Q0.0 ──┘

Na bancada funciona: aperta a emergência, o motor para. É o comando da aula 02 com um NF a mais.

2 · o porquê

Tudo depende de uma corrente com um elo de cada: um contato, um cabo, uma entrada, um programa, uma saída, um contator. Basta um defeito do lado errado e a emergência some sem avisar. Por exemplo: o cabo do botão é esmagado, o fio que volta pro borne encosta no 24 V, e o bit fica preso em 1. Aperta a emergência — e o CLP continua lendo “tudo bem”.

A NR-12 tem nome pra esse comportamento. No glossário:

“Categoria B: Principalmente caracterizada pela seleção de componentes. A ocorrência de um defeito pode levar à perda da função de segurança.”

NR-12, Anexo IV, glossário

E os sistemas de segurança, pelo item 12.5.2, devem:

“a) ter categoria de segurança conforme apreciação de riscos prevista nas normas técnicas oficiais;”
“e) manterem-se sob vigilância automática, ou seja, monitoramento, se indicado pela apreciação de risco, de acordo com a categoria de segurança requerida, exceto para dispositivos de segurança exclusivamente mecânicos;”

NR-12, item 12.5.2, alíneas a e e

Quem faz esse monitoramento a norma também diz:

“Interface de segurança: dispositivo responsável por realizar o monitoramento, verificando a interligação, posição e funcionamento de outros dispositivos do sistema, impedindo a ocorrência de falha que provoque a perda da função de segurança, como relés de segurança, controladores configuráveis de segurança e CLP de segurança.”

NR-12, Anexo IV, glossário

O CLP da lista é o CLP de segurança, e o glossário exige dele o que um CLP comum não foi feito pra garantir: “três princípios básicos de funcionamento: - redundância, diversidade e autoteste” (Anexo IV).

3 · a correção

A emergência vai pra uma interface de segurança — por exemplo, um relé de segurança — em dois canais: dois contatos NF no mesmo botão, um em cada canal. O relé compara os dois, e é a saída dele que corta a energia dos contatores do motor. O CLP comum pode continuar recebendo um sinal da emergência, mas só pra saber e mostrar na tela: quem para a máquina não é o programa.

botão de emergência S2  (dois contatos NF, com trava)
   canal 1 ──┐
   canal 2 ──┴──►  relé de segurança KS  ──►  corta K1 e K2 (contatores em série)
                     ▲                          │
          rearme S3 ─┘                          └─ contatos espelho voltam pro KS

   um contato auxiliar do KS ──► entrada do CLP   (só informa)

Os dois contatores em série e os contatos espelho monitorados aparecem num exemplo do Manual de Aplicação da NR-12, do Ministério do Trabalho (item 8.15, com proteções móveis em vez de botão): lá, “a falha no desligamento dos contatores de potência K1 e K2 é detectada pelo relê de segurança KS pelo menos a cada solicitação da função de segurança”. A categoria que o circuito precisa atingir não sai desta aula: sai da apreciação de riscos, e o sistema deve “estar sob a responsabilidade técnica de profissional legalmente habilitado” (12.5.2, b).

4 · a prova

Dois programas no simulador. No , o do erro: ligue o motor, toque em ⚡ curto: prende em 1 e aperte a emergência — o motor segue girando.

No , um modelo didático do que o relé faz por dentro: lê os dois canais, exige os dois fechados, acusa falha se eles discordarem por 0,5 s e só libera com rearme. Faça o mesmo curto no canal 1 e aperte a emergência: o motor para mesmo assim (o canal 2 abriu), a lâmpada de falha acende e o rearme não funciona mais até o curto sair.

Em passo a passo, olhe a linha 3: com o curto, os dois canais ficam diferentes e o temporizador T0 começa a contar. É a comparação — a mesma ideia do “alguns, mas não todos, defeitos sejam detectados” da categoria 3.

o modelo ② não é um relé de segurança. Escrever essa lógica num CLP comum não transforma o CLP em interface de segurança: a norma pede componente com redundância, diversidade e autoteste. O programa foi montado para esta aula e roda só no simulador do site — eu ainda não tenho CLP nem relé de segurança físicos.

para levar

Emergência não é uma linha do programa. É uma interface de segurança, com a categoria que a apreciação de riscos pedir, cortando a energia do movimento e exigindo rearme manual. O CLP comum só fica sabendo.

CLP do zero · NR-12 na prática · aula N1 · trechos da NR-12 vigente (última alteração: Portaria MTE n.º 344/2024) · simulado no navegador